Lavanda sem perfume.
Era final de tarde, o vento ainda soprava quente sobre os lindos campos de lavanda, o mês de julho era o auge da estação, os campos da Provance estavam repletos daquela flor de tom lilás azulado e os produtores estavam muito contentes, afinal a colheita deste ano seria um recorde o que compensaria a baixa produção no ano passado.
Cecília estava ali parada sentada numa espreguiçadeira próxima da pequena casa de pedras alugada para as férias observando a imensidão daqueles campos e os movimentos que as flores faziam acompanhando o vento, parecia um balé perfeitamente ensaiado, assim que o vento passava as flores tombavam e retornavam ao ponto de partida de maneira graciosa. Cecília tinha verdadeira paixão pela Provance, aprendeu a apreciar estes campos ainda pequena, seus avós a levavam para conhecer as plantações de flores pela região da Provance, mas somente agora depois de muitos anos, ali parada é que ela podia ver e entender porque esta região foi tão retratada pelos impressionistas do século passado. A beleza dos campos era estonteante, as plantações de lavanda tinham o formato de cilindros semi-enterrados que serpentavam a perder de vista, do outro lado era possível avistar as plantações de trigo iluminadas pelo sol do entardecer e que refletiam um campo dourado maravilhoso e de um lado ou de outro, era possível ver algumas montanhas bem verdes que interrompiam a linha do horizonte.
As risadas da pequena Beatriz a trouxeram para o mundo real, ela podia ver o marido Felipe brincar com a pequena no meio das flores onde ela se escondia, mas ele a achava e lá iam os dois novamente, e Beatriz sorria alegre e soltava seus gritinhos no meio do campo. Ela já estava com cinco anos, o que para Cecília era um verdadeiro milagre ela ter nascido após o acidente logo no começo da gravidez que deixou Beatriz, mas levou Xavier, o verdadeiro pai da menina. Foi tudo muito difícil, aquele acidente de carro mudou sua vida para sempre.
Eles tinham acabado de se casar e estavam muito felizes com a gravidez de Cecília, a euforia era enorme e não hesitaram em comemorar logo que possível no lugar tão querido por Cecília, a Provance. Chegaram num final de tarde ensolarado, o perfume das flores invadia o interior do veículo, na estrada era possível avistar de longe uma ponte que eles passariam por debaixo para chegarem até a cidade, e na ponte eles podiam ver de longe a silhueta de um casal que aparentemente como eles estavam felizes se abraçando diante daquela paisagem maravilhosa. Um caminhão carregado de flores vinha na direção contrária na mesma estrada e como se o destino tivesse previsto, no momento em que eles passavam pela ponte, o caminhão se aproximava e o casal apaixonado na verdade estava discutindo violentamente quando a mulher despencou de cima da ponte caindo diretamente sobre o vidro do carro de Cecília e Xavier, mais precisamente sobre ele que estava dirigindo, ele perdeu a direção e bateu de frente com o caminhão.
Cecília só foi acordar no hospital atada a uma cama, sem marido, sem família, sem ninguém por perto, somente a sensação de perda daquele acidente horrível que levou seu companheiro, parte de seus sonhos e também seu olfato, sim Cecília não podia mais cheirar, sentir o perfume das flores, o cheiro de seu amado, de nada, mas assim era Cecília...
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Bom começo! Quero ler o resto, vai postar neh? tbm to tentando escrever. Dps tenta achar o blog do meu livro e comenta lá se puder, quero saber sua opinião. Abraço, e boa sorte com o livro.
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